Yamaha DT 50 LC

Depois de vários anos a pedalar e a tentar convencer os meus pais de que precisava de uma mota para me deslocar, os meus pais lá acederam e ofereceram-me a minha primeira mota. Nunca mais me vou esquecer desse dia. Lembro-me da viagem do stand para casa como se tivesse ido buscar a mota (o termo correcto é “motorizada”) ontem.

Era uma Yamaha DT50 LC, comprada em segunda mão no stand da Yamaha da Figueira da Foz. Vinha toda de origem, com os plásticos laterais, a protecção para os salpicos do óleo da corrente e, pior ainda, com uns espelhos retrovisores gigantes e aquele guiador alto que nos dava um ar de totós quando a conduzíamos de costas direitas. Talvez por isso, 2 minutos depois de sair do stand, quando acabava de concluír a última curva antes de entrar na estrada das Abadias, apercebi-me de atrás de mim alguém a dar “gasadas”, com a embraiagem premida. Era um tipo numa Honda CRM 50, à espera de se picar com o totó da DT LC, que pouco depois fiquei a saber, foi também a minha primeira vítima num “picanço” de mota. Em abono da verdade foi também a última, visto que nunca mais me meti em avarias dessas. As minhas avarias eram outras, como descrevo mais abaixo.

Esta mota foi a minha companheira durante 2 anos. Ia com ela para todo o lado, fizesse chuva ou Sol. Em passeios com os amigos, muitos deles apenas dentro da cidade, alguns por ruas nunca dantes navegadas, fiz mais de 30.000 quilómetros. Umas vezes éramos dois, outras vezes éramos dez, mas havia sempre alguém que quisesse gastar gasolina e fazer barulho. Era um grupo excelente e bastante variado. Havia DTs – a minha, a do Narsa, a do Madeira e a do Apita – várias scooters (as do Preto e do Sangalhos andavam que se fartavam, a do Fritz nem por isso), havia as Casal Boss do Barranca, do Ricardito e do Durão, a Honda Scoopy do Zé Maria com o seu cesto para o capacete, a pasteleira do Urbano, e muito mais. Havia de tudo.

Foi também nesta mota que ganhei o gosto por andar no mato (vulgo “motocross”), e por fazer cavalinhos, para os quais tinha uma sensibilidade considerável. Desde fazer rotundas completas na roda de trás em pé na mota até fazer “deslizes” de dezenas de metros (“deslizar” só na roda de trás, no ponto de equilíbrio, sem usar o acelerador).

Motor da Yamaha DT50 LCOs “prós” desta máquina eram, sem dúvida, a disponibilidade do motor, a resistência aos maus tratos e às quedas, a durabilidade, a facilidade de condução e o peso. Este motor, aliado ao baixo peso do conjunto, permitia “sacar” cavalos em qualquer velocidade, incluíndo em 5ª ou 6ª. Já os “cons” eram definitivamente os travões. Era de longe o pior componente desta mota e, com o tempo e o uso, a travagem ia piorando consideravelmente. Senti bem isso na pele (ou será no osso?) quando caí em cavalinho a quase 60km/h na Av. Fernando Namora (na altura conhecida por “prolongamento da Elísio de Moura”) e parti um pé. Aí, o travão de trás falhou numa altura crucial. Aproveito para agradecer mais uma vez, agora 30 anos depois, ao Madeira, que vinha atrás de mim e me deu os primeiros socorros e ao Adriano, que passou na zona uns minutos depois e me meteu no hospital em menos tempo do que aquele que eu demorei a cair.

Especificações

Marca Yamaha
Modelo DT50 LC
Tipo de motor 1 cilindro, 2 tempos, refrigerado a líquido
Cilindrada 49 cm3
Potência 7.2 cv
Caixa de velocidades 6 velocidades
Embraiagem Multi disco em óleo
Travões Tambor (frente e trás)
Arranque Kick starter
Peso (a seco) 76 Kg
Capacidade do tanque 8.5 litros
Capacidade do depósito de óleo 1.3 litros

Nota: Infelizmente não encontro fotografias minhas desta mota. A imagem exibida nesta página é propriedade da Oldtimer Studio Lisboa.

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